Outubro 6, 2009

Verde de novo

Se ser imatura é sentir

Se ser maduro é ser cruel

Se ser pragmático é ser medíocre

E ser shakespeareana é ser inteira

Ser maduro é mentir

Se ser imatura é respeitar

Se ser prático é ignorar

Se ser romântica é doar-se

Se ser maduro é apodrecer

Se ser imatura é cuidar

Se ser imatura é querer atenção

Se ser maduro é negar atenção

Se ser prático é ser superior

Se imatura é ser de verdade

Se ser maduro é negar a verdade

Prefiro ficar verde, verdinha assim,  por toda eternidade…

Setembro 30, 2009

Um casaco verde e estranho

Olhos úmidos. Assim eram os olhos daquela moça. Quando entrou no ônibus ela olhava para o chão, não encarava o olhar de ninguém, mesmo quando falava, ela evitava o encontro de qualquer outro olhar. A moça desceu no primeiro shopping da cidade. Ela vestia um casaco verde e no pescoço, havia um lenço multicolorido. Eu também entrei no mesmo shopping. Aqueles olhos ainda úmidos tomaram-me de curiosidade. O queixo da moça de casaco verde tremia, mas tremia de forma impedida, como se ela não o pudesse tremer livremente.

Com determinação, ela comprou um ingresso para o cinema. Esperei um pouco para não ser notado. Logo, também entrei na sala escura. Mal começou o filme, ainda nos trailers, a moça liberou a umidade concentrada nos seus olhos. Pensei naquele momento que os olhos daquela moça de casaco verde guardaram o dia inteiro aquelas lágrimas. Por isso a umidade curiosa daquele olhar. Eram negros aqueles olhos encharcados. O filme começou. Um documentário sobre poesia e música brasileira. Pensei que a moça inundaria a sala de cinema. Mas não. Aos poucos, seu olhar se transformava. As letras das músicas e dos poemas confortavam a moça, de tal forma que, nem mesmo ela acreditava. Pensei que ela nunca mais fosse chorar.

Ela saiu do cinema. Depois de todo o roll, depois dos agradecimentos, olhou no celular, guardou-o novamente na bolsa e levantou da poltrona. Seus passos eram lentos, ouvi-a pedir uma informação, a voz era calma, ela tinha uma voz aveludada, eu tive até vontade de deitar e dormir encostado no veludo daquela voz. E aquele casaco verde, eu nunca vi tal casaco antes. Ele parecia ter sido confeccionado especialmente para aquela moça.

Eu me perdi em devaneios e nem a vi ir embora. Fui para parada de ônibus. O ônibus demorava e tava um frio inesperado. Eu lembrava do casaco verde. Dos olhos úmidos. Pensei, será que amanhã os olhos daquela moça voltariam a ficar úmidos? Eu espero que sim.

longe de ti

Juliana CC

Março 12, 2009

Alma feminina

O Chico se supera nessa música. Todas as suas facetas femininas estão explicitas nessa letra. Além de ser uma das canções mais eróticas que já ouvi…

Março 1, 2009

O novo trapezista

Assim como Luz Marina, eu conheci o circo Firuliche (Acrobata, de Eduardo Galeano) muito cedo. Nunca soube viver nada pela metade. Quebrei muitas costelas nas acrobacias do meu coração. Perdi várias vezes para o trapézio desse circo. Houve um momento em que eu cansei. Olhei para dentro de mim e estabeleci uma lei. Como eu não podia mais sair do circo Firuliche, aos menos poderia estabelecer uma nova ordem. Pronto, era tão fácil: – Proibido se apaixonar.

Segui por algumas semanas essa nova lei. Até que me apresentaram a um novo trapezista. Nesse momento, subverter a regra era meu maior desejo. Resisti por algumas horas. Pensei que tava tudo sob controle, até o primeiro olhar de adeus. Eu sabia que tudo ficaria no passado, mas o passado já era parte do meu presente, um presente que renegava o futuro. O circo Firuliche nunca mais seria o mesmo.

As novas acrobacias desse trapezista enfeitiçavam o meu olhar como um número de hipnose. Eu não podia escapar. A gentileza e a suavidade dos movimentos me conduziam em uma dança circular e infinita. Eu, assim tão desajeitada, ele, a prestar atenção em si e no meu passo, cuidando para eu não cair. Ainda havia um fio. Mas o tempo corria, como se estivesse participando de uma maratona. Criei alguns obstáculos para que o tempo tropeçasse, mas ele sempre se erguia. E na mesma velocidade eu fazia do meu coração um picadeiro aconchegante.

Agora, desejo o futuro. Para brincar debaixo da sua lona rasgada mais uma vez. Para fazer de um suspiro, um carinho; de uma lágrima, um beijo e dessa lona, minha casa. Então, pergunto eu: para que criar as leis? E lhe respondo: para desobedecê-las.

Juliana CC

trapezio1

Janeiro 31, 2009

Grande Encontro

Eu queria estar lá, e tu?

Dezembro 26, 2008

Imaginação

Eu não queria ter medo
Mas nem ao menos é medo
Eles acham que é
Na verdade é essa minha imaginação
Incontrolável
Não consigo diferenciar
Realidade ou coisa da minha cabeça
Eu tento
Mas perco o sono
Tento ser discreta
Fracasso
O silêncio já não me basta
Tento agir,
A poltrona me prende
Tendo não imaginar
A ilusão se concretizou
E eu que sou tão maleável
Sou presa fácil da noite
Noite inacabável…

Juliana CC

Outubro 24, 2008

Fora do ar…

Sim, hoje é sexta-feira, dia 24 de outubro de 2008. Um dia comum, para muitos, apenas o fim de uma semana de trabalho e o momento ideal para programar o final de semana. Para mim, dia de refletir. Sabe quando a gente tem a impressão que a semana passou correndo?

Eu acho que o tempo vem acelerando cada vez mais desde 1985. Talvez, quando criança, o relógio não fugisse tanto do meu controle – acho que eu nem dava bola para ele. Agora, tudo anda tão depressa. Não poderia ser diferente já que vivo e faço parte de uma sociedade consumista.

Pois é, nesse tempo cada segundo representa zeros a mais em sua conta bancária. Que pena! Corremos, corremos para chegar a um lugar tão comum. Corremos, enquanto que, para se plantar uma linda roseira, requer apenas um relógio sem ponteiros. Ponteiros. Parece coisa desse mundo mesmo. Criado por alguém que queria ganhar muito dinheiro e poder…é…poder mandar!

Essa lógica da sociedade que vivemos parece contra a liberdade. Ela nos prende e nos enquadra em um sistema tão cruel, que preferimos fechar os olhos, pois deixar de consumir é ainda mais sacrificante. Eu tento não me enganar, mas não posso fingir que isso não é parte da minha vida. Fugir, eu tentei, tento e tentarei sempre. A liberdade que almejo, um dia virá.

Será um dia com horas sem-fim. Um dia sem números, um dia em que eu e você não seremos números, apenas seremos. Enquanto isso, exército meu potencial de consumo em bens que contemplem um pouco minha alma. Música, diversão e arte…sensações impagáveis, mas que também precisam sobreviver ao sistema, portanto, pagáveis.

Semana passada, ganhei um presente. Sabe, sem preço, custou apenas R$ 0,00 (eu tenho provas disso). Assiste ao show do Marcelo Camelo, com um dos meus melhores amigos. Realmente, renovador. A voz suave do vocalista, mais os acordes e batidas perfeitas da banda, nos fizeram transcender o tempo real e caminhar junto às melodias ali cantadas.

Na mesma semana, show do Zeca Baleiro. Um cara admirável, maranhense. Até joguei um pacotinho de bala pra ele. Uma forma de retribuir a poesia e o protesto que ele traz em forma de música brasileira. Outra vez, um show fora do tempo. Poderia dizer que quarta e quinta (15 e 16 de outubro) existiram apenas no plano do sonhar.

Agora, acorda. É mais de uma hora da madrugada. Aqui estou, completando 23 anos. De acordo com minha mãe, eu nasci, nesse instante, o que me faz uma escorpiana, com lua em peixes e ascendente em aquário. Segundo a astrologia, tenho a intensidade do Escorpião, a sensibilidade dos Peixes e o idealismo do Aquário, assim como sua vontade de estar sempre voando…

Juliana CC

Outubro 19, 2008

Cidadão de Papelão

Hermanos,

Eu e meus amigos estamos participando de um concurso do FIZ TV com o videoclip da música Cidadão de Papelão do Teatro Mágico.

Houve uma pré-selação e agora estamos entre os 10 melhores. Para que a gente consiga garantir essa, a gente vai precisar da colaboração de todos!

Para votar é fácil:

Acesse http://fiztv.uol.com.br/f/concurso/tm/16179/0

Para votar passe o mouse sobre a tela do vídeo quando ele estiver passando. Note que no lado direito aparecerão 3 ícones, clique no terceiro ícone de cima pra baixo… aparece: SIM OU NÃO… vc clica no SIM e pronto!!!

Valeu galera pelo apoio!!!!

Outubro 18, 2008

O silêncio e a memória

Essa foto é da Jully, estudante de Comunicação Digital…

Ao entardecer continuo meu caminho só

Aqueço-me com os últimos raios de sol

Espero um segundo…

E adormeço no colo da noite…

Outubro 6, 2008

Chama só…

A força que me chama para brincar,
Eu vim a esse mundo para pular,
Saltar,
Voar…
A superfície só serve se for para andar:
De pés descalços na areia,
Na grana,
No palco,
Em qualquer lugar…
Ir…
Eu nasci para ir…
Além da realidade,
Do infinito e do sonho.
E mais uma vez voar,
Um vôo só,
Porém livre,
Alto…
De cima, preparo o salto
Inclino o pescoço e mergulho
No mar,
No fundo e nas profundezas do infinito
Fico imersa de água
Ainda estou livre,
Um mergulho só,
Porém profundo,
Intenso e vivo…

Juliana CC