Novembro 22, 2009

O que importa para você?

Acorda! O que houve com você? Não vim aqui para escrever uma crítica, um soneto tão pouco vim para dizer algo importante. Vim para dizer, quiçá, apenas pensar. Sussurrar para alguém as revoltas do meu coração e que esse despeje por ai as aflições e rumores desse pensar, que nesse instante são tão vazios.

Me perco num labirinto de palavras e acabo sempre tropeçando nessas tão insistentes vírgulas. Acorda, já está na hora! E eu que me achava uma pessoa ruim por não conseguir ser alguém, percebo que ser alguém é também ser ninguém. Acorda, já é hora! Me responda: O que você comeu hoje? Por que você atravessou a rua? Por que se faz tanto barulho ao engolir um alimento? São milhares de barulhos que quase sempre me confundem e desviam toda minha atenção para o processo que é engolir.

Besteira? Pois me diga algo sensato? Aguardo! Sim, aqui está: Temperatura de hoje 30 °C, tempo estável na maior parte desse Estado. Estado deplorável de corrupção e uma estabilidade nada confiável por ter estado tão longe do mais importante. O que é o mais importante? Te desafio a descobrir. Caso não saiba, lamento dizer que o fim do mundo está próximo.

Outro dia eu vi na televisão que uma mulher ESQUECEU sua filha de seis meses no carro a uma temperatura superior a 60°C. Não bastasse o ocorrido, essa mulher ainda tinha justificativas. Justificativas do que e pra quem?

No mesmo dia, minha colega de trabalho comentou que faltaram alguns pratos (esses de comer mesmo) na casa dela – tinha um almoço com uns amigos lá. Então, pediu alguns emprestados para a cunhada. Ao devolver, minha colega confundiu os dela com os da cunhada. Os pratos eram muito parecidos. A cunhada ficou furiosa, dizendo: “É por isso que eu não gosto de emprestar as MINHAS COISAS pros outros.” Os demais xingamentos absurdos eu dispenso. Nessa hora minha colega pediu calma e disse: “Eu já vou trocar. Apenas me confundi. Não entendo tua raiva. Parece que tu dá mais importância para esses pratos, que podem quebrar a qualquer momento, do que pra nossa amizade.” E o silêncio então se fez na sala.

Nesse sábado, uma amiga esteve aqui em casa. Ele me contou que esses dias estava no ônibus. As janelas estavam todas fechadas e estava muito abafado. Então ela pediu licença para mulher que sentava ao seu lado e pediu já direcionando o braço: “Posso abrir só um pouquinho, está muito quente aqui.” Num golpe só, a senhora sentada próxima à janela segurou o braço da minha amiga e disse: “Eu estou sentada do lado da janela, portanto eu decido se vou abrir ou não.” É impressionante como as pessoas têm um senso aguçado de propriedade, até mesmo por um lugar no ônibus.

Pois é, alguns se importam mais com pratos outras com poltronas e janelas de ônibus e tem aqueles que se importam com roupas, músculos e badalações. Digo isso, porque esses dias ganhei uns convites do Carlos, um colega jornalista, para ir a uma festa de aniversário de uma revista – South Star. Ele me disse que ia ter vários rangos grátis. Então peguei uns ingressos a mais e convidei uns amigos pra ir jantar lá comigo (bem morta de fome, né). Foi engraçado, pois no caminho descobri que a festa era de uma revista de socialites de Porto Alegre. Era gente com roupa de pena (tipo galinha), de brilho, da moda e tinham os fashions também. Eram vestidos longos, curtos e apertados – uma orgia de grifes. Parece que aquela gente tinha se preparado a vida para estar lá e sair num desses programas medíocres sobre as festas de POA – tipo pampa show, já assistiu? Pois nem se atreva, caso você ainda tenha cérebro.

Mas ao menos comi. E na espera de uma pizza desprovida de animais mortos, conheci Mário, o pizzaiolo. Ele me olhou e perguntou: “Moça, o que esperas?” E eu respondi: “Queria uma pizza sem carne. Tem marguerita?” Ele pediu para eu esperar e voltou: “Não tem, mas posso fazer algo parecido.” Fazendo movimento de sim com a cabeça eu sorri. Mário foi rapidamente providenciar. Certamente, ele percebeu que eu era de marte. Pois estava entre as poucas mulheres quase sem maquiagem, de calça jeans, e blusa preta. Escapei por pouco de não ter ido com meu all star roxo. Antes de sair de casa, pensei: “Minha me mataria se eu colocasse meu all star.” Então como detesto magoá-la, coloquei meu sapato de formatura.

Buenas, a pizza tava pronta e ao tirar do forno ele faz um gesto para mim, pronunciando quase sem som: “É essa a tua pizza”. Peguei uma fatia, acenei e agradeci. Era uma pizza de mussarela com rodelas de tomate e tempero verde. A diferença entre a marguerita e essa pizza era mínima. Um detalhe tão pequeno, mas que muda por completo o sabor. Porém, naquele momento, o manjericão era o que menos importava.

Enfim, voltemos à festa. Na verdade, não gostaria de voltar à festa. Eu ri, me diverti, pois estava com amigos muito bacanas e que também eram de marte. Mas, aquele, definitivamente, não era meu lugar. Bem, não fazer parte é engraçado, porém, nesse caso, um alívio. Mas, cada um escolhe o que é mais importante, meu medo é ter que conviver com quem não sabe escolher muito bem.

Juliana Chaves

Outubro 6, 2009

Verde de novo

Se ser imatura é sentir

Se ser maduro é ser cruel

Se ser pragmático é ser medíocre

E ser shakespeareana é ser inteira

Ser maduro é mentir

Se ser imatura é respeitar

Se ser prático é ignorar

Se ser romântica é doar-se

Se ser maduro é apodrecer

Se ser imatura é cuidar

Se ser imatura é querer atenção

Se ser maduro é negar atenção

Se ser prático é ser superior

Se imatura é ser de verdade

Se ser maduro é negar a verdade

Prefiro ficar verde, verdinha assim,  por toda eternidade…

Setembro 30, 2009

Um casaco verde e estranho

Olhos úmidos. Assim eram os olhos daquela moça. Quando entrou no ônibus ela olhava para o chão, não encarava o olhar de ninguém, mesmo quando falava, ela evitava o encontro de qualquer outro olhar. A moça desceu no primeiro shopping da cidade. Ela vestia um casaco verde e no pescoço, havia um lenço multicolorido. Eu também entrei no mesmo shopping. Aqueles olhos ainda úmidos tomaram-me de curiosidade. O queixo da moça de casaco verde tremia, mas tremia de forma impedida, como se ela não o pudesse tremer livremente.

Com determinação, ela comprou um ingresso para o cinema. Esperei um pouco para não ser notado. Logo, também entrei na sala escura. Mal começou o filme, ainda nos trailers, a moça liberou a umidade concentrada nos seus olhos. Pensei naquele momento que os olhos daquela moça de casaco verde guardaram o dia inteiro aquelas lágrimas. Por isso a umidade curiosa daquele olhar. Eram negros aqueles olhos encharcados. O filme começou. Um documentário sobre poesia e música brasileira. Pensei que a moça inundaria a sala de cinema. Mas não. Aos poucos, seu olhar se transformava. As letras das músicas e dos poemas confortavam a moça, de tal forma que, nem mesmo ela acreditava. Pensei que ela nunca mais fosse chorar.

Ela saiu do cinema. Depois de todo o roll, depois dos agradecimentos, olhou no celular, guardou-o novamente na bolsa e levantou da poltrona. Seus passos eram lentos, ouvi-a pedir uma informação, a voz era calma, ela tinha uma voz aveludada, eu tive até vontade de deitar e dormir encostado no veludo daquela voz. E aquele casaco verde, eu nunca vi tal casaco antes. Ele parecia ter sido confeccionado especialmente para aquela moça.

Eu me perdi em devaneios e nem a vi ir embora. Fui para parada de ônibus. O ônibus demorava e tava um frio inesperado. Eu lembrava do casaco verde. Dos olhos úmidos. Pensei, será que amanhã os olhos daquela moça voltariam a ficar úmidos? Eu espero que sim.

longe de ti

Juliana CC

Março 12, 2009

Alma feminina

O Chico se supera nessa música. Todas as suas facetas femininas estão explicitas nessa letra. Além de ser uma das canções mais eróticas que já ouvi…

Março 1, 2009

O novo trapezista

Assim como Luz Marina, eu conheci o circo Firuliche (Acrobata, de Eduardo Galeano) muito cedo. Nunca soube viver nada pela metade. Quebrei muitas costelas nas acrobacias do meu coração. Perdi várias vezes para o trapézio desse circo. Houve um momento em que eu cansei. Olhei para dentro de mim e estabeleci uma lei. Como eu não podia mais sair do circo Firuliche, aos menos poderia estabelecer uma nova ordem. Pronto, era tão fácil: – Proibido se apaixonar.

Segui por algumas semanas essa nova lei. Até que me apresentaram a um novo trapezista. Nesse momento, subverter a regra era meu maior desejo. Resisti por algumas horas. Pensei que tava tudo sob controle, até o primeiro olhar de adeus. Eu sabia que tudo ficaria no passado, mas o passado já era parte do meu presente, um presente que renegava o futuro. O circo Firuliche nunca mais seria o mesmo.

As novas acrobacias desse trapezista enfeitiçavam o meu olhar como um número de hipnose. Eu não podia escapar. A gentileza e a suavidade dos movimentos me conduziam em uma dança circular e infinita. Eu, assim tão desajeitada, ele, a prestar atenção em si e no meu passo, cuidando para eu não cair. Ainda havia um fio. Mas o tempo corria, como se estivesse participando de uma maratona. Criei alguns obstáculos para que o tempo tropeçasse, mas ele sempre se erguia. E na mesma velocidade eu fazia do meu coração um picadeiro aconchegante.

Agora, desejo o futuro. Para brincar debaixo da sua lona rasgada mais uma vez. Para fazer de um suspiro, um carinho; de uma lágrima, um beijo e dessa lona, minha casa. Então, pergunto eu: para que criar as leis? E lhe respondo: para desobedecê-las.

Juliana CC

trapezio1

Janeiro 31, 2009

Grande Encontro

Eu queria estar lá, e tu?

Dezembro 26, 2008

Imaginação

Eu não queria ter medo
Mas nem ao menos é medo
Eles acham que é
Na verdade é essa minha imaginação
Incontrolável
Não consigo diferenciar
Realidade ou coisa da minha cabeça
Eu tento
Mas perco o sono
Tento ser discreta
Fracasso
O silêncio já não me basta
Tento agir,
A poltrona me prende
Tendo não imaginar
A ilusão se concretizou
E eu que sou tão maleável
Sou presa fácil da noite
Noite inacabável…

Juliana CC

Outubro 24, 2008

Fora do ar…

Sim, hoje é sexta-feira, dia 24 de outubro de 2008. Um dia comum, para muitos, apenas o fim de uma semana de trabalho e o momento ideal para programar o final de semana. Para mim, dia de refletir. Sabe quando a gente tem a impressão que a semana passou correndo?

Eu acho que o tempo vem acelerando cada vez mais desde 1985. Talvez, quando criança, o relógio não fugisse tanto do meu controle – acho que eu nem dava bola para ele. Agora, tudo anda tão depressa. Não poderia ser diferente já que vivo e faço parte de uma sociedade consumista.

Pois é, nesse tempo cada segundo representa zeros a mais em sua conta bancária. Que pena! Corremos, corremos para chegar a um lugar tão comum. Corremos, enquanto que, para se plantar uma linda roseira, requer apenas um relógio sem ponteiros. Ponteiros. Parece coisa desse mundo mesmo. Criado por alguém que queria ganhar muito dinheiro e poder…é…poder mandar!

Essa lógica da sociedade que vivemos parece contra a liberdade. Ela nos prende e nos enquadra em um sistema tão cruel, que preferimos fechar os olhos, pois deixar de consumir é ainda mais sacrificante. Eu tento não me enganar, mas não posso fingir que isso não é parte da minha vida. Fugir, eu tentei, tento e tentarei sempre. A liberdade que almejo, um dia virá.

Será um dia com horas sem-fim. Um dia sem números, um dia em que eu e você não seremos números, apenas seremos. Enquanto isso, exército meu potencial de consumo em bens que contemplem um pouco minha alma. Música, diversão e arte…sensações impagáveis, mas que também precisam sobreviver ao sistema, portanto, pagáveis.

Semana passada, ganhei um presente. Sabe, sem preço, custou apenas R$ 0,00 (eu tenho provas disso). Assiste ao show do Marcelo Camelo, com um dos meus melhores amigos. Realmente, renovador. A voz suave do vocalista, mais os acordes e batidas perfeitas da banda, nos fizeram transcender o tempo real e caminhar junto às melodias ali cantadas.

Na mesma semana, show do Zeca Baleiro. Um cara admirável, maranhense. Até joguei um pacotinho de bala pra ele. Uma forma de retribuir a poesia e o protesto que ele traz em forma de música brasileira. Outra vez, um show fora do tempo. Poderia dizer que quarta e quinta (15 e 16 de outubro) existiram apenas no plano do sonhar.

Agora, acorda. É mais de uma hora da madrugada. Aqui estou, completando 23 anos. De acordo com minha mãe, eu nasci, nesse instante, o que me faz uma escorpiana, com lua em peixes e ascendente em aquário. Segundo a astrologia, tenho a intensidade do Escorpião, a sensibilidade dos Peixes e o idealismo do Aquário, assim como sua vontade de estar sempre voando…

Juliana CC

Outubro 19, 2008

Cidadão de Papelão

Hermanos,

Eu e meus amigos estamos participando de um concurso do FIZ TV com o videoclip da música Cidadão de Papelão do Teatro Mágico.

Houve uma pré-selação e agora estamos entre os 10 melhores. Para que a gente consiga garantir essa, a gente vai precisar da colaboração de todos!

Para votar é fácil:

Acesse http://fiztv.uol.com.br/f/concurso/tm/16179/0

Para votar passe o mouse sobre a tela do vídeo quando ele estiver passando. Note que no lado direito aparecerão 3 ícones, clique no terceiro ícone de cima pra baixo… aparece: SIM OU NÃO… vc clica no SIM e pronto!!!

Valeu galera pelo apoio!!!!

Outubro 18, 2008

O silêncio e a memória

Essa foto é da Jully, estudante de Comunicação Digital…

Ao entardecer continuo meu caminho só

Aqueço-me com os últimos raios de sol

Espero um segundo…

E adormeço no colo da noite…