Vento desgarrado


Vantagens e desvantagens de ser só. É, eu sou sozinha. Percebi nitidamente isso hoje. Essa minha capacidade de fazer as coisas sem precisar de ninguém, às vezes, me impressiona, às vezes, me apavora e me devora.

Hoje foi mais ou menos assim. Eu procurei em todos os cantos uma forma de não ser só. Mas a solidão me perseguia pelas esquinas, pelas calçadas e ruas. Ela insistia em ficar comigo, até mesmo no meio de tanta gente, em uma festa tão bacana, tão linda e diferente.

É estranho viver novas sensações, novos lugares e ouvir novas músicas  sem poder compartilhar nem a alegria nem a dor. E o mais estranho era minha incapacidade de dialogar com aqueles que ali estavam. Talvez porque eu mal os conheci, talvez nem quis conhecer. Eu até quis, só não consegui. Faltava habilidades comunicativas para cativa-los, portanto, preferi calar as palavras e deixei a solidão fazer de mim o que bem entender.

Ela dançou salsa, bateu palma e cantou música flamenca comigo. A solidão não me largava. Eu até tentei, mas a velha sensação de não fazer parte de lugar nenhum voltou a tomar conta de mim. Talvez esse seja o destino de uma dançarina: a solidão.

Porque sou assim tão desgarrada. Porque não sou calmaria ao invés dessa ventania? Eu não sei bem, mas essa solidão está me sufocando. Eu não consigo escapar, pois andamos cada vez mais próximas. É, sou só, sozinho.

E o que me assusta é que gosto disso na maioria das vezes. Hoje, eu preferia a companhia. Hoje me machucou ser assim, tão dona de mim, tão independente. Hoje me assustou não ter alguém pra me cuidar. E, sabe, eu tive medo até do cara táxi. Eu tive medo dos meus fantasmas e sonhei com a hora de me encontrar com o teclado e o computador para tentar respirar algumas palavras.

Juliana CC

3 Comentários

Arquivado em Desabafo

3 respostas para Vento desgarrado

  1. Juliana Campos Chaves

    Nossa, eu gosto muito do JD, mas não conhecia esse música! Muito boa, decifra bem o que sinto…

    beijos Edu.

  2. Belo texto, Ju!
    “Talvez esse seja o destino de uma dançarina: a solidão”.

    Tudo depende com quem a dançarina for “jogar”…

    Para mim, a solidão dança muito bem, muito mesmo, e um rock n roll daqueles! Se dou um gole de uísque para ela então… se solta, como um balão de hidrogênio até explodir em sensações…
    Sim: eu amo a solidão!

    besoooo

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